19 novembro 2011

Por Clarice Lispector

mas na umidade da floresta não há desses refinamentos cruéis, e amor é não ser comido, amor é achar bonita uma bota, amor é rir de amor a um anel que brilha. Pequena Flor piscava de amor, e riu quente, pequena, gravida, quente.


obs àqueles com preconceitos à escritora: o problema não é a escritora, clarice lispector, mas sim os leitores que fazem dela, seu próprio ego.
não culpem ou julguem a mulher, julgue e culpe os caras que querem ser e monstrualizam a escritora.

15 novembro 2011

a vida que não queríamos juntos

você parecia mais alto quando eu tinha meus 5 anos;
ou mais alegre quando eu ainda estava com 6;
ainda mais carinhoso quando completava meus 8 anos;
queria ser você, quando crescesse, assim que disse que qual fosse a minha escolha, estaria sempre ao meu lado;
com meus 12 anos, era meu par perfeito, o meu homem, meu protetor;
meu herói, quando eu tinha 14 anos;
com 15, era meu professor;
éramos felizes quando tinha decidido que faria uma universidade federal, lá pelos 18 anos;
são 20 anos de vida, e eu sonho com um discurso desse, mas a verdade é que a única coisa real, é que você sempre esteve longe e quando perto, não passava de um chato e birrento, dono da verdade; bater de frente não vale a pena, a verdade é que nada vale a pena, quando você levanta a voz ditando as regras da SUA vida frustrada

08 novembro 2011

sextas feiras e vespera de feriado

Marie: estou apaixonada
Leo: que estranho, hoje ainda é terça feira e você já está apaixonada?
Marie: não entendi
Leo: é que normalmente você se apaixona nas sextas feiras ou em véspera de feriado
Marie: rs..

05 novembro 2011

beijo com gosto de chocolate argentino

uma noite;
àquela noite;
dormi na noite;
feliz noite;
beijo de boa noite;
apenas uma noite;
A noite;
feliz boa noite;
noite, luxo, banheira e beijo de noite;
diga-me, ó noite;
bela noite, linda noite, clara noite;
bom dia e até uma qualquer outra noite.

01 novembro 2011

condições de uma garota mal-comportada

já cansei de limpar barbas para outras se aproveitarem do que foi encerado, lustrado e penteado, já chega de bigodes reclamões e sem pretensões à vida; cavanhaques que não me impressionam e o pior, caras limpas sem muito o que dizer.
quero jantares a luz de vela, nem que a vela seja àquela de sétimo dia do seu avô; preciso que me busquem no serviço com um vinho barato e me convidem para ficar na praça a conversar baboseira da vida; quero sim ir ao cinema, nem que seja aquele que eu já vi, mas era o mais barato que você pode me levar; seria legal sair da aula e dar de cara com o par me esperando pra almoçar num restaurante ou simplesmente um pastel no boteco ali da praça com garapa sem açúcar; gosto de receber flores, principalmente aquelas arrancadas do vizinho alheio; me convide pra dançar billy holiday no quarto sujo que a sua mãe tanto mandou você limpar; ligações no meio da madrugada me animam pra acordar, principalmente se eu não acordar e ver a ligação perdida no dia seguinte.
sim eu quero atenção, já cansei de ser a única que tenta impressionar, a única que vai até você; não quero mais me apaixonar por livros, mas pelo dono deles; sou romântica e exijo não, necessariamente, exclusividade, mas privilégios de primeira dama.
não é porque te liguei pra sair, que estou, necessariamente, afim de você; não é porque lhe emprestei um livro, que terás um beijo no dia da devolução; dou atenção a todos os amigos da mesma forma, então não é porque fiquei horas falando sobre livros, musica e filmes com você, que quero me casar com você; ir a sua casa não significa que você pode me beijar sem aviso ou conquistas anteriores, você me faz bem e ir a casa de alguém pode ser apenas que quero uma intimidade maior, mas não  a intimidade que você quer.
vamos, me mostre que pode ser importante para mim; vem aqui e me dê o carinho que preciso

30 outubro 2011

Ana Clara Fujifilme

duas amigas;
aquela que dita tabus
e a que quebra todos eles;
uma desnorteadamente santa
outra perfeitamente louca;
garota dos livros
moça das comunicações;
sentimentos dados
carinhos recebidos;
morena clara
japonesa loira;
cadê os nossos amores? 
pois está dentro do coração.
frustradamente doida
doidamente frustrada;
amiga, amo-te de todo coração, e a verdade é que se um romance morrer, me matarei, mas se você morrer, não precisarei morrer, já estarei morta.


29 outubro 2011

barbas desbarbadas

fim de um longo começo


começo de um desastroso fim..

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e assim ela leva a vida, querendo mais e endurecendo o coração o máximo que pode, sugando culturas e comendo corações.